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Eu actuo com violência

A quem se destina esta secção?

Não tem a certeza se o que está a viver é realmente uma situação de violência?

A relação com o seu parceiro não está a correr bem. Está sob stress e não sabe o que fazer. O seu parceiro e as pessoas que o rodeiam falam-lhe de violência, mas não tem a convicção de que o que diz ou faz é realmente uma forma de violência.

Agiu com violência

Já proferiu palavras muito duras contra o seu parceiro ou agiu de forma fisicamente violenta. Sente-se desconfortável com estes comportamentos e tem consciência de que não são adequados. O seu parceiro sofre, tem medo e está a pensar em separar-se. Também sofre com o seu comportamento e as suas consequências para a sua família e tem vergonha dele.

Não sabe o que fazer, sente-se impotente perante o problema

A violência não é uma fatalidade. É possível sair dela. Ao navegar neste site já deu o primeiro passo. Encontrou a vontade de se informar.

Precisa de ajuda e apoio

Violencequefaire.ch é um site interativo. Pode falar sobre a sua situação e colocar as questões que o preocupam de forma segura e anónima. Pessoas especializadas respondem-lhe e dão-lhe conselhos online de forma personalizada. Encontrará também informações temáticas sobre o assunto e endereços de serviços úteis.

Quem é responsável?

É difícil reconhecer a própria violência. As pessoas que agem de forma violenta explicam frequentemente os seus actos por um problema externo (stress, álcool, desemprego, destino pessoal,…) ou minimizam a situação. Não é fácil reconhecer que se está a agredir a pessoa que se ama. As pessoas que se envolvem em comportamentos violentos podem sentir um doloroso sentimento de culpa.

É o stress, o cansaço, o desemprego?

Os momentos difíceis não são desculpa para a violência. Seja qual for o seu desconforto ou as preocupações com que se depara, cabe-lhe a si lidar com eles sem atacar o seu parceiro.

Será por causa do álcool?

O álcool ou o abuso de outras substâncias (drogas, medicamentos,...) não fazem de si uma pessoa violenta. Pode apenas levá-lo a manifestar mais rapidamente ou mais intensamente uma violência que já está presente em si.

Será porque nada corre como devia?

Na vida de um casal, os parceiros têm de lidar com as diferenças, o carácter e as ideias da outra pessoa. Não cabe a uma pessoa dirigir a relação e decidir tudo. Se as coisas não correm como deseja e o irritam, o importante é dialogar e não impor o seu ponto de vista. A violência não é um meio aceitável de resolução de conflitos.

É um problema de comunicação?

Talvez tenha dificuldade em expressar as suas necessidades, o seu desacordo. Acumula a frustração ou o descontentamento até entrar em erupção. A sua dificuldade em comunicar não pode desculpar o uso da violência. Cabe-lhe a si aprender a gerir os seus sentimentos e a dizer as coisas com respeito.

É por causa da sua história pessoal?

Uma relação saudável baseia-se no respeito, na confiança, na partilha, na igualdade, é uma construção para toda a vida. Cada um deve assumir este desafio no seio do casal. Talvez entrem nesta aventura com feridas. Cabe-lhe a si curá-las. Se a presença do outro as reabrir, é responsável pela sua reação. Reagir com violência nunca é uma solução. Pelo contrário, acrescenta uma dificuldade suplementar.

É a pessoa parceira que provoca?

Se não suporta um determinado comportamento do seu parceiro, não tem o direito de o atacar. Isto também se aplica se achar que é a outra pessoa que o provoca. É totalmente responsável pela forma como reage ao comportamento do seu parceiro.
Acontece que a pessoa que sofre a violência começa a gritar, insulta o outro parceiro ou bate-lhe por sua vez. Esta violência é geralmente uma reação à violência sofrida. Não pode ser comparada com a violência intencional de alguém que ataca a pessoa parceira para conseguir o que quer.

Reconhecer a sua responsabilidade

O uso da violência é inaceitável, em qualquer circunstância. Muitas vezes é difícil admitir que somos os únicos responsáveis pelos nossos actos, sobretudo quando nos sentimos desvalorizados ou agredidos, mas é um passo inevitável para nos dotarmos das ferramentas necessárias para sair dessa situação.

O que fazer?

Não gosta do seu comportamento violento? Jurou não recomeçar mas não resultou? Apercebeu-se de que o seu parceiro está a sofrer e pensa que esta pessoa pode deixá-lo? Perdeu a confiança e já não sabe o que fazer?

Sair do silêncio

Atrever-se a falar sobre o assunto

Outras pessoas têm o mesmo tipo de dificuldades. Não é a única pessoa nesta situação. Sair do silêncio é um passo necessário para parar o mecanismo da violência. Falar sobre o assunto diminui as tensões e permite-lhe distanciar-se. Este primeiro passo exige coragem, mas vai trazer-lhe alívio e mudanças significativas.

Faça-nos as suas perguntas

Neste site pode falar sobre a sua situação de forma anónima e colocar todas as suas questões. Pessoas especializadas em violência nas relações escutam-no sem o julgar. A sua experiência permite-lhes compreender a complexidade da sua situação e aconselhá-lo de forma competente.

Se preferir um contacto mais direto

Se puder, fale com uma pessoa de confiança de quem se sinta próximo (do seu círculo de amigos, família, profissional, vizinhança). Contacte o serviço de ajuda para pessoas que cometem actos de violência da sua região. Encontrará um local de escuta e aconselhamento confidencial.

Ligue para a “La Main tendue“, que oferece uma escuta confidencial e anónima, 24 horas por dia, através do número 143.

Não esperar que a situação se agrave.

É responsável por pôr termo ao seu comportamento violento. Falar sobre o assunto traz alívio e ajuda-o a sair da situação.

Evitar as crises

Um ato violento nunca surge do nada.  É preciso aprender a reconhecer a raiva e a geri-la antes que ela expluda sob a forma de violência. Existem alternativas.

Reconhecer a raiva

Tal como outras emoções, a raiva não é má em si mesma. Se aprender a ouvir-se a si próprio, pode reconhecê-la antes que expluda sob a forma de violência. A raiva indica geralmente que uma necessidade não está a ser satisfeita. É uma questão de identificar qual delas é e de encontrar palavras para exprimir o seu sentimento sem culpar a outra pessoa. A pessoa parceira não é responsável pelo que sente ou pela satisfação das suas necessidades.

Perda de controlo?

Por vezes, as emoções parecem demasiado fortes, a pessoa vê-se negra e "passa-se dos carretos", "perde a cabeça"....
Isto significa que se perdeu o controlo.
A realidade é diferente. As pessoas que agridem o seu parceiro também vivem situações frustrantes ou desagradáveis fora de casa, nomeadamente no trabalho. Nestes contextos, no entanto, conseguem gerir a sua raiva sem demonstrar tal violência. Não atacam as pessoas com quem trabalham ou os superiores hierárquicos.

Há sempre uma escolha

A pessoa que agride tem sempre a possibilidade de reagir de forma diferente, mesmo na intimidade da sua vida familiar. Se ele age com violência em casa, é porque se permite fazê-lo. A violência não é uma perda de controlo. É uma forma de assumir o controlo. A pessoa violenta utiliza-a para dobrar a pessoa parceira, para mostrar quem é que manda.

Lidar com o problema

Não se isole perante o seu problema. Os serviços especializados podem ajudá-lo de forma concreta a lidar com a violência. É possível parar o mecanismo. Pedir ajuda requer coragem, mas é um passo necessário e pode trazer-lhe alívio e mudanças perceptíveis.

Pôr termo a actos de violência

Os serviços especializados para pessoas que cometem actos de violência ajudam a pôr termo à violência. Não estão lá para julgar. É dada prioridade à segurança de todas as pessoas envolvidas e à forma de pôr termo à violência física. No entanto, todas as formas de violência são abordadas: psicológica, económica e sexual. As competências desenvolvidas nestes serviços permitem-lhe diminuir a acumulação de stress, reduzir as tensões durante os conflitos e encontrar outras formas de resolução que não a violência.

Avançar em conjunto

Ao consultar os serviços para pessoas vítimas de violência, pode constatar que não é a única pessoa com estas dificuldades. São também propostos trabalhos de grupo onde pode beneficiar da experiência de pessoas que encontraram alternativas à violência. É também uma oportunidade para descobrir que é possível confiar sem trair essa confiança, que mostrar vulnerabilidade não significa necessariamente ceder à vingança. Aprender um pouco de cada vez a confiar, a ouvir, a ter empatia, permite-lhe desenvolver uma comunicação saudável e construtiva.

Aprender a viver relações mais igualitárias

A violência é frequentemente utilizada para controlar o parceiro, para o prender a si próprio ou para ganhar respeito. O efeito é, no entanto, o oposto. A violência afasta e cria medo. Os serviços para pessoas que cometem actos de violência ajudam-no a desenvolver uma visão mais igualitária das relações.

Relações parentais

Muitos pais gostam de poder falar sobre as suas preocupações relativamente à exposição dos seus filhos menores a cenas de violência. Nos serviços para pessoas que praticam actos de violência, é dada especial atenção a esta questão. Também são apresentadas possibilidades para uma educação não violenta.

Terapia de casal

Alguns serviços propõem um aconselhamento de casais centrado na violência. É o caso do centro de aconselhamento MalleyPrairie, no cantão de Vaud. O objetivo é unicamente falar sobre a violência e tentar pôr-lhe termo de forma estável. As sessões de aconselhamento são gratuitas, confidenciais e dirigidas por dois especialistas, uma mulher e um homem. Terminam quando o uso da violência é interrompido. No cantão de Genebra, o serviço interdisciplinar de aconselhamento médico e de prevenção da violência propõe um aconselhamento de casais que aborda todas as formas de violência, o seu carácter inaceitável, o contexto jurídico, as responsabilidades de cada parceiro e o impacto na saúde. Estas duas sessões de aconselhamento permitem um acompanhamento individual em caso de reincidência da violência física ou sexual. No cantão do Ticino, o Gabinete de Assistência à Reabilitação pode oferecer apoio para o ajudar a abandonar os comportamentos violentos. Este gabinete oferece um espaço de escuta onde se pode falar das dificuldades que surgiram no seio do casal ou da família e receber informações sobre o tema da violência doméstica.

Quanto mais cedo melhor

Muitas vezes, as pessoas que cometem actos de violência pedem ajuda no último momento. Muitos decidem apenas quando sentem que já não têm outra opção: quando o parceiro se foi embora, iniciou um processo de separação ou decidiu apresentar queixa. Por vezes, é o risco de deixar de ver os filhos que as leva a tomar a decisão.

Não espere que a situação se agrave para procurar aconselhamento.
É responsável por pôr termo ao seu comportamento violento. Se quiser tomar medidas para pôr termo a essa situação, pode colocar questões à nossa equipa especializada.

Plano de emergência

Devem ser tomadas imediatamente medidas concretas para reduzir as tensões e evitar os surtos de violência. Não evite aplicá-las. A segurança e o bem-estar do parceiro estão em risco, mas também o de eventuais filhos. Para resolver o problema de forma duradoura, é indispensável um apoio externo.

Reconhecer os sinais de alarme

Há sinais de alerta que indicam a chegada de uma crise. Saber reconhecê-los rapidamente permite-lhe reagir e evitar o pior. Quando a tensão aumenta, pode sentir um ardor na testa, cerrar os dentes, cerrar os punhos, as mãos suam ou sentir um formigueiro na nuca. Preste atenção a estes sinais e reaja logo que eles ocorram.

Sair agora

Sente a raiva a dominá-lo? Está fora de si? Saia imediatamente.
Dar um passeio para aliviar a tensão. Refletir sobre o que se passa no seu interior. Tentar perceber as emoções que estão por detrás da raiva (vergonha, medo, tristeza, ...). Ligar para uma pessoa de confiança ou para o 143 (telefone amigo, escuta confidencial e anónima 24 horas por dia). Não volte para o seu parceiro antes de ter recuperado a calma.

Aliviar a tensão

Tentar aliviar as tensões. Pratique um desporto, corra regularmente, faça trabalhos manuais, ouça música, desenhe, visite amigos...
Encontre actividades que o relaxem e o façam sentir melhor.

Manter um diário

Pode manter um diário, no qual escreve o que acontece, dia após dia, e como se sente. Para melhor identificar os sinais de alerta, descreva também o desenrolar dos incidentes violentos, mencionando em pormenor os acontecimentos e os sentimentos que ocorreram durante a dinâmica.